Fiquei grávida em 2004, logo após terminar a
faculdade, foi uma gravidez planejada e muito desejada. No pré-natal,
foi tudo bem, tudo tranqüilo comigo e com o bebê. Exatamente no dia em
que o médico marcou, rompeu a bolsa, mas eu não tinha dilatação,
aconteceu que o Gustavo nasceu 24 horas depois que eu havia me internado
de cesárea. Nasceu com peso bom e tudo certinho, aparentemente uma
criança normal. Sempre o acompanhei com pediatra, levando ele às
consultas todos os meses.
Quando ele estava com nove meses, tive que
levá-lo à outra pediatra, que não era a mesma que o acompanhava. Ela me
disse que o Gustavo, tinha atraso motor, pois não conseguia se levantar
para sentar sozinho. A gente até tinha percebido a dificuldade dele em
pegar as coisas com a mão direita, mas diziam "ah ele vai ser canhoto".
Num primeiro instante achei que aquela mulher
era louca, em falar aquilo do meu filho, mas fomos fazer o que ela
pediu: uma consulta com um Neurologista e uma tomografia.
Foi quando o médico nos disse: o seu filho teve um acidente vascular
cerebral isquêmico do lado esquerdo do cérebro. Eu perguntei "hã"? Mas o
que é isso doutor? Ele explicou, mas de uma forma técnica, que é claro
nem eu nem meu marido entendemos nada.
O que mais me doeu, foi quando perguntei para
tentar entender o que estava acontecendo:
Doutor, mas meu filho vai andar, falar?
Ele responde:
Ele terá dificuldades no movimento do lado direito, mas se vai andar ou
falar, não se sabe, não tem como saber, isso ninguém pode dizer.
Você
deve imaginar o que é para um pai e para uma mãe ouvir isso e manter a
calma frente ao médico. Saímos do consultório sem rumo, desesperados,
com todas as dúvidas que você possa imaginar. Eu me perguntava Meu Deus,
o que eu fiz de errado, nunca bebi, nunca fumei, sempre me cuidei,
porque acontecer isso com o meu filho? Teria sido a demora no parto? Por
que os médicos não fizeram logo à cesárea, esperaram tanto, seria
porque era pelo SUS, naquele tempo eu não tinha plano de saúde.
Aí começou, a nossa luta,
fomos encaminhados para levá-lo numa neuropediatra em Curitiba, a partir
daí foram exames e mais exames, para ver se o coração, a visão, a
audição, enfim se estava tudo bem com ele. Graças a Deus todos os exames
feitos não apontaram nada de irregular com o Gustavo. Todo mês a gente o
levava para acompanhamento com a neurologista, e a cada consulta
questionávamos a doutora, para entender o que estava acontecendo com o
nosso bebê, além disso, ele começou com a fisioterapia e faz até hoje.
Quando soubemos do problema
do Gustavo, ficamos desesperados até entender o que era, teve uma fase
de desespero e outra de tentar achar um culpado, hoje vejo que não é
esse o caminho.
Já consigo falar sem chorar, meu maior sonho é ver meu filho andar.
Sei que o Gustavo tem o tempo
dele, assim como tantas crianças especiais são anjos em nossas vidas,
que vêm nos ensinar muita coisa como a paciência, persistência e o que
realmente importa e tem valor na nossa vida.
Hoje entendo o porquê da
frase: “Filhos especiais, pais especiais”, sei que se Deus colocou o
Gustavo em nossa vida é porque temos capacidade e força para cuidar dele
da melhor forma possível.
Fico muito feliz em poder
contar um pouco da nossa história, neste site tão especial, gostaria de
desejar muita força e coragem a todos os pais de crianças especiais e
que nunca percam a fé em Deus e a esperança e espero que as pessoas que
não convivem com a deficiência no dia a dia possam refletir sobre essa
realidade e compreender um pouco mais sobre o verdadeiro sentido da
vida.
"Somos do tamanho dos nosso sonhos".