Emanuel e Moisés
Dois Anjos em minha vida!
Depois de quase cinco anos tentando engravidar sem
sucesso em outubro de 1985 consegui enfim realizar meu sonho de ser
mãe, pois Deus me deu a felicidade de ficar grávida e, vejam que nem foi
preciso inseminação artificial.
Mas de repente meu sonho virou pesadelo, pois nesse período que fiquei
grávida, peguei RUBÉOLA, eu soube dos riscos. Meu médico foi muito
sincero comigo, me alertou sobre os riscos e me deixando a vontade para
decidir, se fosse minha vontade faríamos o aborto. Optei pela vida, a
vida é linda, uma dádiva e quem sou eu para decidir se uma pessoa deve
viver ou morrer, eu curti minha gravidez ao máximo, às vezes chorava,
mas sempre com o apoio de toda a minha família e também dos meus amigos,
sempre deixando claro para todos os riscos que eu estava correndo.
No sétimo mês fiquei sabendo que eram gêmeos, a alegria tomou conta do
meu coração, algum tempo depois chega o grande dia, dia em que terei
meus filhos em meus braços e com eles a plena felicidade em ser mãe!!!
Quando eles estavam com nove anos de idade tive uma menina, a pequena
Sara, coincidência ou não os problemas do Emanuel aumentaram em casa, no
transporte e na escola, tivemos que entrar com medicação, depois um ano
e onze meses tive mais uma menina, a Maria Isabel e os problemas com o
Emanuel só crescendo e ele também, comia muito, engordou, nada
adiantava, nutricionista, endócrino e mais medicamentos, como se não
bastasse desenvolveu apnéia do sono, onde ele fez cirurgia da adenóide
porém nada resolveu. A cada dia víamos o sofrimento dele e o nosso
aumentar, ele quase não dormia a noite ficava cianótico, então ficava
levantando e mudando ele de posição pra ver se melhorava o sono,
compramos travesseiros especiais, mas não adiantou, durante o dia era
outro sofrimento, o Emanuel queria comer o tempo todo, e tomar Pepsi e
tinha que ser light, isso era divertido e nos alegrava, pois segundo os
médicos eles só veriam coisas grandes mesmo com o uso dos óculos e para
nossa alegria eles vêem tudo, mas sem óculos sabia distinguir o rótulo
do refrigerante, muitas vezes tentamos dar a outra e o danado não
aceitava.
A vida é uma sucessão de batalhas.
Nesse
meio tempo como o Emanuel estava dando muito trabalho na escola, por
causa do transito que o apavorava, pedi para a prefeitura que os
colocassem em uma escola em meu município, até então eles iam para
atendimento em Curitiba. Consegui que viessem para a mesma escola onde
tinham feito a reeducação visual por 12 anos, mas minha alegria durou
pouco, pois a coordenadora colocou vários empecilhos, chegando ao cúmulo
de fazer uma reunião com a educação do município para pedir a mim e ao
Pedro que levássemos os gêmeos a médicos, chorei, me senti humilhada,
pois desde que engravidei não fiz outra coisa, a pressão foi tanta que
decidimos que não os levaríamos mais para essa escola.
Graças a Deus a diretora do departamento de
educação entendeu a situação, então recomeçamos nossa busca por um
espaço, acabei pedindo para a diretora e ela nos cedeu à sala que era
dela, com isso meu mundo sorriu, pois meus filhos estariam na escola, no
inicio deu trabalho pra conseguir professoras que estivessem dispostas a
trabalhar com eles, mas conseguimos uma da nossa rede de ensino e outra
de Curitiba, esse problema estava resolvido os dois amavam a escola,
mas o Emanuel estava a cada dia mais violento, pesava 108 kilos e quando
contrariado dava cabeçadas no pai, um dia quase o matou, chegou a
quebrar por duas vezes o vidro do carro, agredia o pai e os irmãos,
todos tinham que sair de perto dele, eu tentava acalmá-lo, depois
cansados caiamos os dois na cama, chorávamos juntos, nesta hora ele
demonstrava tristeza e arrependimento.
No dia 18 de fevereiro
de 2007, tivemos que interná-lo, mas os remédios eram só paliativos, eu e
os médicos tínhamos certeza que o problema voltaria para casa com a
gente. O Pedro e eu ficamos com ele no hospital, por dois dias, mas como
o hospital era infantil, o leito e nem mesmo os aparelhos serviam para o
Emanuel e com isso fomos transferidos para outro hospital. Nesse dia o
Emanuel ficou muito feliz, pois achava que estava indo para casa,
durante o trajeto que fizemos com o carro do hospital ele veio deitado
no colo do Pedro, ao chegar ao nosso destino, ele levantou a cabeça, viu
que não era nossa casa, deitou novamente e parece que nesse momento
desistiu de lutar, viu que não adiantava mais e quando os médicos, o
viram chegando naquele estado fizeram de tudo, o Pedro e eu ficamos o
tempo todo ao lado dele, vendo o coração de nosso filho parar de bater,
ele nem conseguia respirar mais, e foi colocado na UTI.
Depois
de acompanharmos todo esse drama que o Emanuel passou, voltamos para
casa e no outro dia bem cedo voltamos ao hospital, entrei primeiro e vi
uma cena inesquecível, vi meu filho tão lindo, tão calmo dormindo, sem
aparelho, parecia tão feliz, depois entrou o Pedro, nós dois tivemos a
mesma impressão, ele está bem e já começamos a pensar como iríamos fazer
para melhorar a vida dele em casa, cilindro de oxigênio, cadeira
especial para dormir, etc., enfim, nosso filho teria uma vida diferente à
partir daquele dia.
Mas assim que chegamos em
casa, alguém do hospital ligou pedindo para que voltássemos para lá,
parece que já sabíamos. Quando chegamos ao hospital nos informaram
depois de cinco minutos que saímos, ele teve três paradas cardíacas e
não conseguiram reanimar, vindo assim a nos deixar para ir morar junto
de Deus.
Sofri muito, enterrei meu
filho, mas luta não acabou e nunca vai acabar, pois tenho o Moisés e
hoje junto com uma professora atendemos, além dele mais seis crianças,
surda cegas, cegas condutas típicas e autistas, fiz questão de atender e
ajudar essas crianças, pois sei que nenhuma escola os quer e não quero
que elas sintam o que meu filho sentiu no passado quando estava em idade
escolar.
Se me perguntarem se valeu à
pena tudo o que fiz, eu direi que sim, pois vi meus filhos, crescer,
curtir a vida, brincar na piscina ou praia sem medo da água, se
comunicar mesmo sem falar e sem fazer uso de libras, simplesmente se
fazendo entender e não existe dinheiro no mundo que possa pagar esses
sentimentos que vivi ao lado do Emanuel e que continuo a viver ao lado
de seu irmão e as crianças que ajudo nos dias de hoje.
Graças a Deus o Moisés está
muito bem, agora à atenção ESPECIAL é só dele e ele ama a vida, não
precisa de nenhum medicamento, tudo para ele é festa.
SOU FELIZ E APOIO A CAMPANHA DO NATHAN CHANNOSCHI!!!
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