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Um pouco antes, na mesa de cirurgia pedi ao médico: "Dr. assim que ele nascer o senhor me fala se é menino ou menina?" E o médico respondeu: "É claro, aqui é que nem banco, deu o cheque já recebe!" ( isso está registrado num diário que fiz nos dias seguintes pelo tempo que permaneci internada...3 meses). Sim, 3 meses... o médico, um residente de 20 e poucos anos, que fez a minha cesárea deixou um pedaço de placenta em meu útero e eu peguei uma infecção puerperal ficando internada e sendo submetida à várias cirurgias durante 3 meses.
As cirurgias eram na tentativa de evitar que o meu útero fosse retirado, devido o fato de eu ter apenas 17 anos, ser o primeiro filho e também pelo fato do meu primeiro e talvez único filho estar também entre a vida e a morte, mas isso eu não sabia, só vim a saber uns dias antes de ter alta, pois insistia para que o levassem nos dias de visita para eu vê-lo e ninguém levava, então uns dias antes de eu ter alta, me contaram que ele não poderia ir ao hospital pois tinha ficado durante 20 dias na UTI respirando com pulmãozinho artificial, pois por ter nascido de 7 meses um pulmãozinho dele parou de funcionar, teve crises de apneia e ficou durante 20 dias entre a vida e a morte.
Nas crises de apneia o oxigênio deixa de ir para o cérebro e por causa disso o pediatra meses depois pediu que acompanhássemos, pois muito provavelmente ele teria sequelas e teria retardos no desenvolvimento e só hoje, depois de acompanhar os casos de paralisia infantil decorrentes de problemas no parto é que consigo medir o quão maravilhoso Deus foi em minha vida e meu filho desenvolveu perfeitamente, sem nunca ter tido nenhum problema, a não ser bronquite e pneumonias que ele teve várias...a infância dele foi marcada de internações por conta disso e só na adolescência foi que finalmente meu filho se curou da bronquite.
Antes de finalizar essa parte gostaria de relatar algumas passagens, que para mim são muito marcantes e estão registradas no diário. Aos 6 meses de gravidez, tive um sonho: "Estava sentada no sofá da casa da minha sogra (onde eu morava) e o pai do meu filho entrou e me perguntou: - Por que vc está triste ?
E eu respondi: - Porque o meu filho está tão grande e eu nem pude acompanhar o crescimento dele...nisso minha sogra que estava na cozinha, dando comida para o meu filho, vem e diz:
- O que vc queria que eu fizesse, alguém tinha que cuidar dele".
Pois bem, quando eu tive alta, meu filho estava com 3 meses e já comia papinha. Apesar das várias cirurgias na tentativa de combater a infecção e manter o meu útero, não foi possível, pois eu estava correndo risco de vida e fui submetida a uma histerectomia (retirada do útero). Sai do hospital pesando 38kg e apenas com alguns fios de cabelo na cabeça...depois procuro a foto do meu 1º titulo de eleitor e posto aqui. E quando estava no hospital...devido a infecção, tinha febres de 40 graus...chegava a delirar, e passava muito mal. Numa noite ainda internada tive um outro sonho (que também consta no diário)
"Sonhei que estava numa sala e ao meu redor tinha várias crianças vestidas de super-heróis e um deles tomou a frente e fez um trenzinho, os demais seguirem e cantavam a música do Balão Mágico: - Eu quero assim crianças sempre perto de mim"
E somente um pequenino ficou do meu lado, de cabeça baixa e me deu a mão...quando peguei em sua mãozinha ele me olhou e nesse instante percebi que era o meu filho, nisso um homem todo vestido de preto entrou, abriu a porta com forças e deu um tiro no meu filho...acordei suando, gritando e no dia seguinte contei o sonho para o meu amado e falecido pai...que sempre ia nos dias de visita me visitar.
Na hora que contei o sonho ele olhou para minha irmã e não entendi naquele momento o que o olhar dele quis dizer...mas hoje sei...ele quis dizer:
- Ela sabe que o bebê dela está entre a vida e a morte...mas eu não sabia, só vim a saber que ele também esteve internado uns dias antes de ter alta e ele já estava em casa, se recuperando muito bem e crescendo saudável e perfeito.
E no dia 30 de abril, dia do meu aniversário tive alta e voltei para casa, meu filho que estava com quase 3 meses de vida e era, segundo a minha sogra, um bebê chorão, quando cheguei e o peguei nos braços, dormiu a tarde toda abraçadinho comigo. Aos 6 anos de idade, eu estava preparando-o para ir à escolinha e ele me perguntou com uma voz triste e sério: - Mãe por que quando eu estava no hospital dentro daquela caixinha você não ia me visitar?
Eu olhei para ele e perguntei: - Que caixinha filho ( achando impossível que ele se lembrasse disso) e ele me respondeu: - Aquela que tinha uma bolinha no meio. Ele se referia a ao leito do hospital onde ficam os recém-nascidos prematuros, não me recordo o nome agora. Mas passou... sobrevivemos e durante esses 26 anos de convivência...entre tapas e beijos... rsrsrs tenho muitas histórias e passagens para contar que me faz crer que nossa ligação é de outras vidas... ele sente quando eu não estou bem e eu sinto tudo o que acontece com ele, tenho várias passagens que comprovam isso, mas daria um livro só da minha história com ele.
E é isso...em relação ao meu filho, hoje percebo a graça que recebi de Deus, o quanto ele foi maravilhoso na minha vida e de meu filho.
Ai ele cresceu, como relatou o Fernando me deu 2 netinhos lindos, e por causa da minha netinha, por ser completamente louca por ela, me engajei nessa luta, pois na ocasião da tragédia com a pequena Isabella eu me via no lugar da vovó Rosa, a avó materna da pequena Isabella e aí começa a minha luta por Justiça!
MINHA LUTA POR JUSTIÇA COMEÇA AQUI...
Conforme relatado pelo Fernando, quando assisti o caso da pequena Isabella na TV, no fiquei em choque e durante uma semana não saia da frente da TV, chorava, não me conformava com o ocorrido, sentia uma vontade enorme de gritar, de ir para as ruas, de protestar.
No dia 02 de abril de 2008, dois dias depois da morte da pequena, fiz esse vídeo de homenagem à pequena Isabella e a mamãe dela:
E comecei a participar das comunidades no Orkut em prol de Justiça pela pequena e aí começou toda a minha luta. Me engajei com outras pessoas que assim como eu também estavam inconformados e queriam justiça e saí as ruas para protestar...a cada novo pedido de Habeas Corpus em favor do casal acusado, a cada nova tentativa por parte da defesa em libertar e evitar que eles pagassem pela crueldade que fizeram e do começo ao fim acompanhei o caso, finalizando minha participação no caso Isabella, no fórum, estando presente durante os dias do julgamento.
Um pouco antes da sentença tão esperada...passava do outro lado da avenida, num telão montado por pessoas que também estavam ali em solidariedade à família Oliveira, um vídeo com fotos da pequena, linda e viva, apesar dos jornais terem noticiados que eram exibidas fotos da menina morta, e me levou aos prantos em lembrar toda luta e toda perseguição que sofri por quase 2 anos, por parte daqueles que acreditam na inocência do casal. Não que eu não ache que eles não tenham esse direito...todos têm o direito de acreditar no que quiser e em quem quiser, só não podem a pretexto de defender alguém, sair caluniando e perseguindo aqueles que têm opiniões contrárias, respeito o direito deles acreditarem na inocência, ainda que eu nunca consiga entender como alguém consegue acreditar na inocência diante de tudo que foi apresentado. Eu nunca tive sequer 1% de duvida da culpa do casal, do contrário jamais teria feito tudo o que fiz.
E a partir do caso Isabella...
...despertou em mim um ser humano adormecido!
Na verdade, sempre fui assim; batalhadora, protetora, mas usava isso em prol da minha família, lutava por todos, sempre tentando reconciliações, ajudar a todos, comprando para mim todos os problemas...mas vivia em torno do meu umbigo...só preocupada com os meus problemas e com os problemas da minha família....hoje consigo enxergar o mundo lá fora, ver que existem outros problemas, outras dores e outras famílias que precisam de ajuda, que precisam de uma voz que grite por eles, quando se sentem completamente perdidos e sozinhos e é isso que tenho tentado fazer por essas famílias, que hoje, na grande maioria das vezes, vêm a mim pedir ajuda e o que faço é estender as mãos.
No link abaixo explico um pouco da minha motivação nessa luta por justiça:
Comentários:
Rose, mãe daKakau
"Eu estava embevecida lendo sua historia..."
Gislane, mãe da Jú
Assim como a amiga Rose (Comentário acima), também estou embevecida com sua história de vida e de luta, confesso que encontro em você, muito mais que imaginava, uma força visível que nos motiva e nos faz acreditarmos em dias melhores afinal são raríssimas as pessoas que se assemelham á você que luta, acredita, busca alternativas e que principalmente não desiste nunca!
Se olharmos ao nosso redor, perceberemos de imediato o "comodismo" infelizmente ainda temos em nossa sociedade muitas criticas e atitudes tão banais que não nos levam a nada, não nos fortalece e tão pouco nos tornam "humanos", dizer ou citar algo é muito fácil o difícil mesmo é "arregaçar as mangas" e ir a luta defendendo aquilo que acredita de forma justa e honesta, e você querida saber fazer um amanhã melhor, acreditando sempre em novas possibilidades e oportunidades de um mundo mais justo e digno!
Agradeço a Deus pela oportunidade de estar aqui e conhecer sua história pois a considero uma guerreira como poucas que conheço...dizer aqui mais uma vez que a nova capa esta linda é muito pouco, o que quero mesmo é parabenizar e APLAUDIR essa linda comunidade por nos proporcionar SERES HUMANOS tão FANTÁSTICOS, com histórias lindas que nos fortalecem nos tornando pessoas dignas de continuarmos a nossa luta em prol a uma sociedade mais justa e menos hipócrita defendendo a todo instante que ainda acreditamos em dias melhores!!!
Muito obrigada por nos ensinar atitudes tão raras e dignas de se vivenciar, sua história apenas comprova o quanto você é forte e guerreira em todos os sentidos...
Voltando ainda no caso das meninas...
Prova maior de que não sou contra opinião contrária a minha está visivelmente nos dois casos que me motivou nessa busca por Justiça: Isabella e Madeleine.
Vejam, muitas pessoas acreditam que a pequena Madeleine esteja morta e muitos acreditam, inclusive, que tenha sido os pais da menina que a mataram, com dosagem excessiva de remédios...versão essa que em nenhum segundo consegui aceitar e o meu coração acredita que a pequena vive e que vai voltar.
Nem por isso saiu perseguindo e caluniando quem acredita que a pequena esteja morta.
No caso do casal Nardoni nunca tive 1 minuto sequer de duvida da culpabilidade em contra partida acredito 100% na inocência do casal MacCann.
Luto por aquilo que acredito.
Mas mesmo desejando justiça, nunca tripudiei a dor da família paterna da pequena Isabella e nem tão pouco me alegrei com a desgraça deles. Só lamento que tenham tentado fazer do casal mártires e negar o óbvio, tentando o tempo todo desmerecer o trabalho do promotor que atuava no caso, da perícia, da polícia, mesmo diante de todas as provas e evidências de culpa...
A mim essa família também seria digna de pena e até de solidariedade se tivesse se posicionado de forma correta e honesta, ainda que lhes doesse na alma...bem diferente do que fez o casal que teve a mesma tragédia em família, dias atrás, e não passaram a mão na cabeça do filho, como postei nesse tópico:
E apesar de querer e lutar por justiça, no dia que o casal Nardoni foi preso pela primeira vez, que foi aquele auê em Guarulhos, assistindo pela TV, confesso que chorei...naquele momento pensei: - O que eles fizeram com a vida dessas crianças? (pensando também nos outros dois filhos do casal, além da pequena Isabella), o que eles fizeram com a vida deles, das 3 famílias?
Foi um momento muito triste de ser ver, porém vibrei com a condenação na porta do fórum, pois finalmente a justiça tinho sido feita, o que é muito difícil nesse país, devido as brechas de nossas leis, as quais tanto lutamos para que sejam revistas e outras famílias não tenham que sofrer tanto, pois ainda que nada traga a vida dos entes queridos de volta, a sensação de impunidade agrava ainda mais a dor...só quem convive com essas famílias e consegue se colocar no lugar delas é capaz de entender isso...
E esse foi o vídeo que fiz no dia 16 de abril de 2008 em homenagem a esses dois pequenos e lindos anjos que me motivaram nessa busca por Justiça.
E depois delas, outros pequenos anjos foram chegando, alguns completamente orfãos...sem voz...sem ninguém para lutar por eles e isso é o que tenho tentado fazer...ser a voz dos inocentes...
Pedrinho é mais um deles e há 3 anos e 5 meses tenho tentado ser a sua voz, nessa busca por justiça:
Meu envolvimento com as Campanhas de Solidariedade
E em meio a luta por Justiça para aqueles que tiveram a vida ceifada de forma bárbara e cruel, uma amiga do orkut me enviou um link de uma reportagem onde uma criança estava em estado neurovegetativo e precisava de ajuda para realizar o tratamento com células-tronco.Veja: Gazeta de Limeira
Já havia ajudado na divulgação da campanha da pequena Clarinha pelo Orkut e ao ler o drama do pequeno Lucas Henrique Babolim não exitei, não tive duvidas, ali acredito que eu tenha sido chamada de vez para essa missão...me apaixonei pelo pequeno Lucas Babolim no momento em que li a sua história e até hoje choro a perda daquele menino que aprendi a amar e por qual lutei durante 6 meses.
Assim que li a reportagem, entrei em contato com os pais do pequeno Lucas e após me certificar da veracidade abri a comunidade no Orkut.
E me engajei de corpo e alma na campanha e na luta pela Vida do pequeno Lucas Babolim....tive ajuda de várias pessoas que se solidarizaram com o caso, lutaram e também sofreram com a partida dele na véspera da viagem para à China, depois de toda luta, das passagens compradas, passaporte feitos, tudo pronto para à viagem em busca do tratamento com células-tronco, mas o pequeno Lucas Babolim decidiu, no dia 09 de agosto de 2009, viajar para o céu e um dia antes se de sua partida se despediu de todos com esse sorriso...
Eu te amo tanto pequeno anjo, nunca vou lhe esquecer e sempre vou guardar comigo o seu sorriso e a lembrança das suas lágrimas de alegria quando me viu chegar pela 2ª vez que nos encontramos e lhe disse que eu havia prometido que ia voltar e tinha voltado.
E as crianças em busca do tratamento com células-tronco foram aparecendo, e a cada apelo dos pais me engajava nas campanhas e ajudava na divulgação, até que tive a ideia de criar o Blog " Células Tronco Uma Nova Esperança" onde relaciono os Blogs das crianças que estão em Campanha e as que já se encerraram.
E foi assim que conheci a família do pequeno e lindo Nathan Channoschi, que também estava na luta para realizar o tratamento com células-tronco, na expectativa de uma qualidade de vida, ainda melhor.
O intuito do Blog era para que as pessoas pudessem acompanhar passo-a-passo do que aconteceu antes e depois do tratamento, mas isso é mais na teoria, na prática a realidade infelizmente é outra, pois nem todos atualizam os Blogs e dão notícias de como estão as crianças depois do tratamento...o que acabou desmotivando muitas pessoas que ajudavam e que na maioria das vezes eram sempre as mesmas.
No meu Blog TODAS as campanhas relacionadas, são dos Blogs das próprias crianças, onde SEMPRE são divulgadas as contas em nome das crianças como favorecidas. NUNCA um só centavo dessas campanhas entrou em minha conta, apesar de já ter ouvido através de conversas que correm pelos bastidores...rsrsrs que eu ganho de 10 à 20% de cada campanha que divulgo.
No Blog têm pelo menos uns 60 casos, entre os que estão em campanha e os que já se submeteram ao tratamento...para qualquer pessoa que venha a ter qualquer tipo de duvida, desafio que entre em contato com qualquer uma dessas famílias e se certifique se alguma vez, algum deles me depositou um só centavo em pagamento da divulgação que fiz e faço.
A minha maior e ÚNICA recompensa nessa luta por esses pequenos é vê-los conseguir embarcar rumo ao tão desejado sonho e depois poder acompanhar os progressos de cada um deles, por menor que sejam. Fico triste quando não temos esse retorno por parte dos papais e não podemos compartilhar da felicidade da família, por menor que ela seja...
Onde espero chegar?
Espero que as nossas vozes sejam ouvidas, que o nosso grito de justiça ganhe corpo, e que consigamos mudar o código penal, que haja endurecimento das leis para os criminosos e que as pessoas possam viver numa sociedade mais justa e que o sentimento de impunidade seja deixado para trás.
Que possamos conviver numa sociedade sem medo, sem traumas, sem dor...
Por isso me alio aos movimentos e aqueles que lutam por paz e justiça, por acreditar nos ideais e enquanto sentir que estou no caminho certo...ainda que encontre empecilhos, não vou desistir...pelo meu filho, por meus netos, por minha família, por meus amigos, pelas vítimas de violência, pelos indefesos, enfim...por vocês, por mim...por nós!!!
Falando sobre essa personalidade chamada Sandra Domingues
Falar de você é uma aventura, pois toda vez que lembro de você (todos os dias) lembro de um anjo, uma pessoa que veio para esse mundo não apenas para viver sua vida e buscar sua felicidade, mais de uma pessoa que veio para viver a vida de muitos e levar a felicidade para todos!
Infelizmente nascemos em uma sociedade repleta de hipocrisias, onde o amor verdadeiro, o respeito e até a dignidade muitas vezes são deixadas em segundo plano apenas por uma opinião divergente, sem pelo menos deixar-se entender ou aprender com as bases que muitas pessoas carregam para aprender a viver melhor e realmente buscar por "coisas" que possam agregar em nossa sociedade... Digo isso, pois acompanho a Sandra, desde que Deus me abençoou a colocando em minha vida em um momento de muita luta que passei, que foi quando iniciei a campanha para levar o Nathan Channoschi (meu filho) para um transplante de células tronco na Alemanha.
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